quarta-feira, 29 de agosto de 2012

IDH - ESTADOS BRASILEIROS


IDH do Brasil

O critério para analisar a qualidade de vida de um determinado local é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que consiste na média obtida através de três aspectos: Renda Nacional Bruta (RNB) per capita; o grau de escolaridade da população (média de anos de estudo da população adulta e expectativa de vida escolar, ou tempo que uma criança ficará matriculada); nível de saúde (expectativa de vida da população).
Através da média geométrica desses três fatores, obtêm-se um valor que varia de 0 a 1, e quanto mais se aproxima de 1, maior é o IDH de um local. 
Conforme dados divulgados em 2010 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil apresenta IDH de 0,699, ocupando a 73° posição no ranking mundial, valor considerado alto. A cada ano o país tem conseguido elevar o seu IDH, fatores como o aumento da expectativa de vida da população brasileira e da taxa de alfabetização são os principais responsáveis por esse progresso. 


Porém, o Brasil é um país que apresenta inúmeros problemas socioeconômicos, como, por exemplo, a desigualdade social. As disparidades sociais no território brasileiro estão presentes em escala regional, estadual e, até mesmo, municipal, onde são perceptíveis os contrastes socioeconômicos entre os bairros de uma mesma cidade. 
A análise do ranking do IDH dos estados brasileiros evidencia as profundas diferenças existentes no país.
Obs.: Em novembro de 2010, a ONU, utilizando os novos critérios de cálculo, divulgou uma lista de IDH dos países. No entanto, esse novo método (média geométrica) ainda não foi utilizado para os estados brasileiros. Sendo assim, o ranking nacional segue o modelo e dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), de 2008.

1° - Distrito Federal – 0,874 
2° - Santa Catarina – 0,840 
3° - São Paulo – 0,833 
4° - Rio de Janeiro – 0,832 
5° - Rio Grande do Sul – 0,832
6° - Paraná – 0,820 
7° - Espírito Santo – 0,802 
8° - Mato Grosso do Sul – 0,802 
9° - Goiás – 0,800 
10° - Minas Gerais – 0,800 
11° - Mato Grosso – 0,796 
12° - Amapá – 0,780 
13° - Amazonas – 0,780 
14° - Rondônia – 0,756 
15° - Tocantins – 0,756 
16° - Pará – 0,755 
17° - Acre – 0,751 
18° - Roraima – 0,750 
19° - Bahia – 0,742 
20° - Sergipe – 0,742 
21° - Rio Grande do Norte – 0,738 
22° - Ceará – 0,723 
23° - Pernambuco – 0,718 
24° - Paraíba – 0,718 
25° - Piauí – 0,703 
26° - Maranhão – 0,683 
27° - Alagoas – 0,677 

Portanto, faz-se necessária a realização de políticas públicas para reduzir as desigualdades sociais no território brasileiro. Os estados da Região Nordeste, em sua totalidade, ocupam as posições inferiores do ranking, enquanto que os estados do Centro-Sul apresentam elevados Índices de Desenvolvimento Humano. 
É através desses dados com critérios vagos e superficiais, que estão rotulando o Brasil como um país que proporciona elevada qualidade de vida para seus habitantes.


Por Wagner De Cerqueira E Francisco

IDH - 201
O relatório do Desenvolvimento Humano 2011, divulgado nesta quarta-feira (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), classifica o Brasil na 84ª posição entre 187 países avaliados pelo índice. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil em 2011 é de 0,718 na escala que vai de 0 a 1. O índice é usado como referência da qualidade de vida e desenvolvimento sem se prender apenas em índices econômicos.
O país com mais alto IDH em 2011 é a Noruega, que alcançou a marca de 0,943. Os cinco primeiros colocados do ranking são, pela ordem, Noruega, Austrália, Holanda, Estados Unidos e Nova Zelândia. Segundo o Pnud, o pior IDH entre os países avaliados é o da República Democrática do Congo, com índice 0,286. Os cinco últimos são Chade, Moçambique, Burundi, Níger e República Democrática do Congo.
A metodologia usada pelo Pnud para definir o IDH passou por mudanças desde o relatório divulgado em novembro de 2010. O índice que se baseia em dados como a expectativa de vida, a escolaridade, a expectativa de escolaridade e a renda média mudou a fonte de alguns dos dados usados na comparação. A expectativa é ter os mais recentes dados comparáveis entre os diferentes países.
No ano passado, o Brasil aparecia classificado como o 73º melhor IDH de 169 países, mas, segundo o Pnud, o país estaria em 85º em 2010, se fosse usada a nova metodologia. Desta forma, pode-se dizer que em 2011 o país ganhou uma posição no índice em relação ao ano anterior, ficando em 84º lugar.
Desenvolvimento humano elevado
O Pnud não soube indicar o que motivou a mudança de classificação do Brasil. Mas, analisando os indicadores avaliados – expectativa de vida, anos médios de escolaridade, anos esperados de escolaridade e renda nacional bruta per capita – dois tiveram mudanças: expectativa de vida e renda nacional bruta.
O Brasil aparece entre os países considerados de "Desenvolvimento Humano Elevado", a segunda melhor categoria do ranking, que tem 47 países com "Desenvolvimento Humano Muito Elevado" (acima de IDH 0,793), além de 47 de "Desenvolvimento Humano Médio" (entre 0,522 e 0,698) e 46 de "Desenvolvimento Humano Baixo" (abaixo de 0,510).
De acordo com os dados usados no relatório, o rendimento anual dos brasileiros é de US$ 10.162, e a expectativa de vida, de 73,5 anos. A escolaridade é de 7,2 anos de estudo, e a expectativa de vida escolar é de 13,8 anos.
O cálculo de IDH alterou neste ano a fonte de informação sobre renda dos países. O dado agora passou a ser alinhado ao Relatório do Banco Mundial. O problema é que o dado dessa fonte é mais antigo (de 2005) do que o usado no relatório IDH de 2010 (que era de 2008). Os números foram ajustados e a comparação possível é que passamos de uma renda nacional bruta per capita de US$ 9.812 , em 2010, para US$ 10.162  em 2011.
No material divulgado pelo Pnud é possível comparar as tendências do IDH de todos os países por índice e por valor total desde 1980. O destaque no caso brasileiro é para a renda, que aumentou 40% no período. No mesmo tempo, a expectativa de vida aumentou em 11 anos; a média de anos de escolaridade aumentou em 4,6 anos, mas o tempo esperado de escolaridade diminuiu.
Novos índices
Além do valor usado tradicionalmente para indicar o desenvolvimento humano de cada país, o relatório deste ano apresenta novos índices: IDH Ajustado à Desigualdade, Índice de Desigualdade de Gênero e Índice de Pobreza Multidimensional.
O IDH ajustado à desigualdade faz um retrato mais real do desenvolvimento do país, ajustando às realidades de cada um deles. Com isso, o IDH tradicional passa a ser visto como um desenvolvimento potencial. Levando a desigualdade em conta, o Brasil perde, em 2011, 27,7% do seu IDH tradicional. O componente renda (dentre renda, expectativa de vida e educação) é que mais influi nesse percentual.
No índice de desigualdade de gênero, o Brasil fica em patamar intermediário quando comparado com os BRICS. O índice brasileiro é de 0,449. Rússia tem 0,338; China, 0,209; África do Sul, 0,490% e Índia, 0,617.
Já o Índice de Pobreza Multidimensional é uma forma nova, mais ampla, de verificar quem vive com dificuldades. No lugar da referência do Banco Mundial, que considera que está abaixo da linha de pobreza quem ganha menos de US$ 1,15 por dia, o novo índice aponta privações em educação, saúde e padrão de vida.
Segundo o Pnud o índice pode não ser tão importante para a situação do Brasil quanto para a de países da África, pois, no Brasil, quem tem renda pode ter o acesso facilitado à qualidade de vida. Em alguns países, porém, esse acesso não depende exclusivamente de recursos financeiros (às vezes, o país tem infraestrutura precária demais, por exemplo).
Essa nova medida é uma forma interessante de avaliar as políticas de transferência de renda e verificar se essas ações realmente estão mudando a vida da população mais necessitada.


sábado, 11 de agosto de 2012

As cercas e a indústria da seca

As cercas e a indústria da seca
As secas são fenômenos naturais, antigos e inevitáveis. Mas a natureza não é culpada pelos desastres que elas provocam. Esses desastres poderiam ser evitados se a economia e a sociedade do Sertão estivessem organizadas de outra forma.
A agricultura sertaneja está baseada no cultivo de alguns produtos alimentares - como o milho e o feijão - que não se adaptam bem à irregularidade das chuvas e aos duros solos ressecados.
A economia sertaneja está baseada nas grandes propriedades de criação de gado. Nesses latifúndios, vivem os trabalhadores rurais e suas famílias, recebendo um salário miserável para cuidar do gado e das plantações dos fazendeiros. Além disso, cultivam pequenas lavouras alimentares para o consumo familiar, em lotes de terra junto às suas casas.
As secas não atingem igualmente a todos. Nas grandes secas, os trabalhadores rurais perdem suas colheitas, mas o gado do fazendeiro geralmente consegue se salvar, consumindo a água armazenada nos açudes. Também o algodão seridó, principal produto das plantações comerciais dos latifúndios, resiste à seca.
Historicamente, as políticas dos governos federais e estaduais contribuíram para manter a desigualdade na distribuição da terra e dos recursos produtivos. Nunca se realizou uma reforma agrária para permitir aos camponeses o acesso a propriedades de dimensões adequadas. Nunca se estimulou a mudança da agricultura sertaneja, promovendo-se o plantio de produtos mais adaptados à irregularidade das chuvas. As políticas governamentais se limitaram a combater a falta de água.
Nas grandes secas, o governo federal distribui cestas de alimentos e abre frentes de trabalho de emergência. Essas ações, que parecem ser uma ajuda para a população pobre, assinalam o funcionamento da "indústria da seca".
As cestas de alimentos são distribuídas pelos políticos locais, pelos prefeitos e vereadores das cidades sertanejas. Em geral, esses políticos são parentes ou amigos dos fazendeiros. Muitas vezes, o próprio latifundiário, conhecido como o "coronel", exerce o cargo de prefeito. As cestas de alimentos transformam-se em votos nas eleições, garantindo a continuidade do poder da elite.
As frentes de trabalho empregam camponeses que perderam as suas safras. Por salários muito baixos, esses trabalhadores constroem açudes e abrem estradas. Os açudes servirão para manter vivo o gado dos latifúndios na próxima seca. As estradas ajudam a transportar os produtos comerciais das fazendas. A seca é um bom negócio para muitos latifundiários!

O ciclo do algodão no Seridó

O ciclo do algodão no Seridó
Tomislav R. Femenick - historiador e mestre em Economia.
O Seridó é uma região que abrange parte dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba. A sua porção potiguar ocupa 12.824,8 Km² e tem uma população em 322.453 pessoas, segundo estimativa do IBGE para 2008. É formada pelos municípios de Acari, Augusto Severo, Bodó, Caicó, Carnaúba dos Dantas, Cerro Cora, Cruzeta, Currais Novos, Equador, Florânia, Ipueira, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Lagoa Nova, Ouro Branco, Parelhas, Santana do Matos, Santana do Seridó, São Fernando, São João do Sabugi, São Jose do Seridó, São Tome, São Vicente, Serra Negra do Norte, Tenente Laurentino Cruz, Timbaúba dos Batistas e Triunfo Potiguar. Sua característica climática é a escassez e instabilidade das chuvas, altas temperaturas e baixa umidade. Seu solo pedregoso é de baixa fertilidade (salvo alguns poucos aluviões) e a vegetação natural é preponderantemente de caatinga.
A efetiva colonização da região se deu no final do século XVII, após a expulsão dos holandeses e a chamada Guerra dos Bárbaros, guerra essa desencadeada pelos europeus contra a resistência dos índios Cariris à ocupação de suas terras; primeiro pelos portugueses, depois pelos holandeses e, novamente, pelos portugueses. Vencidos os nativos, ocuparam o Seridó povoadores de origem lusitana, vindos de Pernambuco (Goiana e Iguarassu) e da Paraíba. As primeiras concessões de terras na região datam de 1676 e 1679. Entretanto a emancipação administrativa do Seridó só ocorreu mais de um século após, em 1788, quando foi criado o Município de Vila Nova do Príncipe, hoje Caicó.
Segundo José Augustos Bezerra de Medeiros (Revista do IHGRN, 1948), "na zona do Seridó, certo e seguro é afirmar-se que todo o movimento povoador decorreu da necessidade econômica de encontrar lugar adequado à localização de fazendas de criação de gados. [...] O gado foi, desse modo, ao começar o povoamento da terra seridoense, o elemento econômico fundamental, a fonte de riqueza natural de exploração comercial, o princípio de todo o processo da história do Seridó. [...] Mas, estava escrito que o algodão seria, com o decorrer dos tempos, a dominante econômica do Seridó. Para isso concorreu decisivamente a qualidade da fibra do algodão preferentemente ali cultivado, melhor do que a de qualquer outro tipo brasileiro, e rival das melhores do mundo, prestando-se admiravelmente à confecção dos tecidos finos".
O algodão mocó ou "algodão do Seridó" é uma variedade adaptada ao solo árido, resistente às secas e que produz fibras longas, de grande brancura e poucas sementes.  Foi na segunda metade do século XIX que a cotonicultura se expandiu no Seridó; de início como atividade paralela à pecuária e, depois, suplantando-a. A difusão do seu cultivo ocorreu a partir do vale do Rio Seridó, mais particularmente das vizinhanças de Acari. Plantava-se a mesma variedade selvagem cultivada pelos índios Cariris; depois outras já selecionadas. Porém era uma cultura doméstica, de subsistência. Só posteriormente é que foi trabalhado como produto voltado para o mercado. Seu destino primeiro foi à indústria têxtil inglesa, em seguida a nascente indústria de fiação e tecelagem do sul do país. Isso em grande parte foi uma decorrência da sua inquestionável qualidade, qualidade essa que lhe valeu o grande prêmio da Exposição Nacional de 1908, realizado na então capital federal, o Rio de Janeiro, para comemorar o primeiro centenário da abertura dos portos e fazer um inventário da economia do país.
O desenvolvimento da cultura do algodão no Seridó fez com que, em 1910 já existissem na região 171 máquinas beneficiadoras de algodão, sendo 124 bolandeiras (tracionadas por animais) e 47 locomoveis (movidas a vapor). Na década de 1920, a região do Seridó - acentuadamente os municípios Caicó e Jardim do Seridó - produziu mais de 40% de todo algodão exportado pelo Estado para o exterior e para outras regiões do Brasil. Todavia, as deficiências e as contradições internas da cotonicultura seridoense minavam a sua estrutura econômica e apresentava fortes traços de não sustentabilidade. Principalmente dois fatores se enquadram nessa situação: a) em virtude da escassez de solos propícios à agrícola, a cotonicultura desenvolveu-se em pequenas propriedades; b) para aproveitar o solo agrário, o plantio do algodão era consorciado com os de feijão, milho, mandioca ou batata-doce. 
Se por outro lado esse tipo de plantio garantia o sustento do produtor e o emprego para o grande contingente de mão de obra disponível na região, ele impedia o desenvolvimento tecnológico, pois não permitia o uso intensivo de máquinas agrícolas nem o emprego adequado de defensivos contra as pragas que atacavam o algodoal. Embora presentes em outras áreas do Rio Grande do Norte e do Nordeste, esse sistema era mais acentuadamente característico do Seridó.
                   REGIÃO NORDESTE
O seu relevo é marcado por depressões, planaltos, chapadas e ainda, planícies costeiras em todo o litoral. Na hidrografia, predominam rios intermitentes ou temporários, que secam nos períodos de estiagem. Entre os rios perenes ou permanentes, que nunca secam, estão o São Francisco, Parnaíba e Jaguaribe. Próximo ao litoral o clima é tropical, na área do sertão, o clima é semiárido. A vegetação é bastante diversificada, com formações manguezais e de floresta tropical no litoral. Mata dos Cocais, trechos da Floresta Amazônica e de Cerrado na área de transição entre a região Norte e a Nordeste. Mas, a vegetação predominante em toda a região é a Caatinga.
Por apresentar paisagens naturais diversificadas, a região é dividida em sub-regiões: a Zona da Mata, o Agreste, o Sertão e o Meio-Norte.
1) Meio-Norte: abrange o estado do Maranhão e a maior parte do Piauí. É uma área de transição entre a região Norte e o Sertão. A vegetação típica é a mata dos cocais que favoreceu o desenvolvimento das atividades de extrativismo vegetal (palmeira do babaçu – palmito e óleos usados pela indústria de cosméticos e de equipamentos de precisão; carnaúba - óleos e ceras para a fabricação de velas e lubrificantes.). A economia tem se baseado na criação de gado, na cultura de algodão, arroz e no extrativismo vegetal. Atualmente ocorre uma modernização agrícola, principalmente na cultura de soja, destinada à exportação e introduzida nas últimas décadas.
2) Sertão: é a maior sub-região do Nordeste. Possui clima tropical semiárido, onde são comuns secas prolongadas que chegam a durar anos. A vegetação predominante é a caatinga. Os rios são, no geral, intermitentes, com exceção dos rios São Francisco e Jaguaribe. Dentre as atividades econômicas, destacamos a pecuária extensiva e agricultura comercial do algodão, soja, milho, feijão, arroz, mandioca e frutas. Em muitas áreas prevalece a agricultura de subsistência.
3) Agreste: está localizada entre duas sub-regiões, uma seca e outra úmida. É considerada uma zona de transição entre o Sertão e a Zona da Mata. Enquanto na Zona da Mata prevalecem os latifúndios monocultores, no Agreste predominam os minifúndios policultores, pecuária leiteira e forte atividade comercial.
4) Zona da Mata: a vegetação nativa era a mata Atlântica. Localizada no litoral, onde há maior umidade e ocorrência de chuvas. As atividades de destaque é o cultivo da cana-de-açúcar, cacau, exploração de petróleo e ocorrência da maior concentração industrial do Nordeste.

NORDESTE ENFRENTA APIOR SECA DOS ÚLTIMOS 40 ANOS

A POBREZA NO BRASIL

A SECA NO NORDESTE EM 2012 ENTRA PARA A HISTÓRIA

A SECA NO NORDESTE
 
A SECA DE 2012 ENTRA PRA HISTÓRIA!
A estiagem que acomete o Nordeste em 2012 não é comum. De acordo com especialistas, esta é mais intensa e acontece de 30 em 30 anos, em média. Assim como a seca deste ano, outras também marcaram a história do Nordeste. As mais famosas são as de 1983/84, 1935 e 1887, que provocaram a morte de quase 500 mil nordestinos.
 Desmatamento e políticas ineficazes são agravantes
A seca no sertão nordestino está entre as questões mais graves do Brasil. Há séculos os governos têm tentado resolvê-la, sem sucesso.
As políticas de combate à seca no Nordeste remontam à época do Império. D. Pedro 2º determinou a construção de açudes, entre outras ações, para diminuir os efeitos da estiagem, entre os anos 1877 e 1879.
O próprio imperador declarou: "Não restará uma única joia na Coroa, mas nenhum nordestino morrerá de fome".
Em 1951, um grupo de estudiosos determinou os limites da região atingida por estiagens periódicas, que passou a ser chamada Polígono das Secas. Veja o mapa com as áreas atingidas pela seca, na época: O Polígono das Secas
 A área abrangia os quase todos os estados do Nordeste, menos o Maranhão, além do norte de Minas Gerais.
Causas da seca
Mas o Polígono das Secas aumentou de tamanho. O Maranhão, que estava "fora" da área de ocorrência de secas longas, vem enfrentando o problema nos últimos 25 anos. Nas regiões atingidas, é comum a estiagem se prolongar por dois ou três anos. Isso gera uma situação de calamidade para milhões de sertanejos.
A ampliação da área da seca está relacionada à forma de ocupação humana nessa região, desde o século 16. Trata-se do uso predatório da terra, tirando dela o máximo possível em produtividade sem preocupação com o esgotamento.
O principal fator foi desmatamento excessivo que deu fim à vegetação em torno das nascentes dos rios. Isso mesmo: sem as árvores, secam o rio e a fonte de onde vem a água. Sem a proteção do verde, o solo frágil e arenoso não resiste e a região torna-se árida. Com isso, o clima muda: há menos chuvas. E o lugar é ocupado pela caatinga, ou se transforma em deserto.
Indústria da seca
O primeiro órgão de combate à seca foi criado em 1909, chamava-se Inspetoria de Obras Contra as secas (IOCS). Em 1919 tornou-se a Inspetoria Federal de Obras Contra a Secas (IFCOS). Em 1945 ganhou novo nome: Departamento Nacional de Obras Contra a Secas (DNOCS).
Todos esses órgãos procuram definir metas e solucionar o problema com obras para armazenar água e suprir a população, a agricultura e a pecuária.
Mas tem sido insuficiente, como se vê pelo aumento da área atingida. Além do desmatamento, a seca do Nordeste está ligada à falta de políticas que realmente funcionem em benefício da população.
Durante a estiagem, o governo federal socorre os estados atingidos com envio de dinheiro para ser aplicado nessas áreas, cestas básicas para a população, perdão total ou parcial das dívidas de empréstimos tomados por empresários e fazendeiros. Estudiosos declaram que existe uma "indústria da seca", da qual alguns se beneficiariam de forma política e financeira.
Autor: Luiz Carlos Parejo

A SECA NO NORDESTE

A SECA NO NORDESTE
A seca mais uma vez mostra a sua face cruel para o povo nordestino, mas para agravar ainda mais a situação observa-se que a seca está ultrapassando a linha do Polígono das Secas, atingindo inclusive o estado do Maranhão.
Historicamente tem sido assim: as chuvas escasseiam dada a pouca influência de massas de ar úmidas e frias vindas do Sul, logo as massas quentes e secas tendem a permanecer por longo tempo sobre a região; soma-se a isso, neste momento, a temperatura do mar mais baixa em 1 grau o que não propicia evaporação que permita a formação de nuvens.
Essas são as algumas causas naturais. Mas têm outras resultantes da ação humana como o desmatamento sistemático ocorrido ao longo do tempo, especialmente na Zona da Mata.
No livro Vida e Morte do Sertão, o autor Marco Antônio Villa diz que chegam a três milhões de pessoas as vítimas da seca do século XIX ao XX. Uma mortandade semelhante a Guerra do Vietnam.
A escassez de água leva dificuldades à agricultura e à criação de animais, resultando em fome e miséria. A água para consumo humano muitas vezes tem que ser buscada longe e pode apresentar contaminação. Tanto a má alimentação como a contaminação pelo consumo da água de péssima qualidade faz o habitante da região vítima de muitas doenças. Esse cenário propicia o êxodo rural, o que ao longo do século passado inchou as cidades e contribuiu para formação de favelas, gerando assim outros problemas.
O governo tem investido em construção de cisternas, açudes e barragens e em épocas de estiagem, amplia a frota de carros-pipa. Mas ainda é pouco. Faz-se necessária a implantação de um sistema de desenvolvimento sustentável na região para que as pessoas abandonem a submissão às ações assistencialistas do governo. Importante também é o incentivo à agricultura adaptada ao clima e ao solo da região, com modernas técnicas de irrigação.
Neste momento em que o Nordeste enfrenta uma seca que se prenuncia a pior dos últimos 40 anos, a presidente Dilma, após reunir os governadores dos estados afetados pela seca, acenou com a liberação de R$ 2, 7 bilhões.
Agora, é aguardar que o resultado desse investimento contribua de fato para minorar as agruras que milhões de brasileiros enfrentam. Mas não tem como ignorar a indústria da seca e os ralos por onde escorrem o dinheiro público destinado ao atendimento da população carente. Segundo a afirmação corajosa da socióloga e ex-primeira-dama D. Ruth Cardoso, que presidiu o programa Comunidade Solidária de combate à exclusão social e a pobreza, seria melhor jogar o dinheiro de avião que assim chegaria de fato às mãos dos que precisam.